QUE BOM TER VOCÊ AQUI

Quem escreve, raramente escreve somente para si próprio.
Assim, espero que você leia, goste, curta, comente, opine.
E tem de tudo: de receitas a lamentos; de músicas à frases: de textos longos a objetivos.
Que bom ter você aqui....

terça-feira, 8 de setembro de 2009

GRANDE VERDADE.....

"A VIDA TEM A COR QUE A GENTE PINTA."
(vi na novela das oito, na camiseta de uma mulher.
Sábia frase. Sábia mesmo.)

FERIADOS......BEM PASSADOS.

A brisa leve nos abraça pela manhã.
No salão, o café da manhã convida para momentos de lazer.
Lazer com guloseimas que vão dos ovos mexidos ao bolo de laranja, impecável.
Na rua, silêncio para o dia que se inicia na praia dos Ingleses.
Na janela, o mar convida e acena para quem estiver olhando.
Caminha-se um pouco, fuma-se um cigarro e senta-se na cadeirinha

de praia previamente ajeitada.
Uma imagem, de fato, vale mais do que mil palavras.
O barulhinho das ondas ameniza qualquer pensamento que se inicie.
E eles não se iniciam. Apenas passam. E logo vão embora.
Papo vem, papo vai, eu vejo que a vida lentamente volta ao normal.
Nada de lembranças e nem de dores.
De fato, passou.
Caminho pela areia de mãos dadas e observo o mar, as pessoas, crianças, meninas, moças, senhoras, enfim, todos tem algo em comum:

o sorriso no rosto e a despreocupação.
Parece que o ar de Ingleses é diferente, o povo é querido, cordial, educado, simpático. Nada de falar cantadinho, mas tudo de acolher quem chega.
E foi assim em todos os locais por onde passei.
Sorrisos, boa comida, cerveja sempre gelada, uma boa companheira

como Dona Bethy, dias magníficos, noites tranqüilas e passeios pelo
litoral norte de Florianópolis.
No alto da Lagoa, um local que merece ser visitado por todos os mortais:

Ponto de Vista. Mais que um bar, mais que um restaurante.
Um pedaço de felicidade para quem o criou e para quem visita.
A vista, o atendimento, a comida, enfim, é para sentar e jogar âncora.
Não sai mais.
Música de primeira linha, excelente vocal, MPB séria, tudo perfeito para

um final de tarde, início de noite como poucos.
Calmaria na volta, velocidade inferior a 50 quilômetros, curtindo tudo o

que dava para curtir.
Dias inesquecíveis para serem lembrados com alegria, com prazer,

com parceria. Sem falar de Sambaqui, que em outro texto conto os detalhes.
Que lugar!!!
Merecido descanso para quem deixou de carregar areia em sacos de lembranças.
Melhor andar a pé só com a camiseta no corpo, um cigarro numa mão e na outra, a mão de Dona Bethy. Grande companheira de viagem.

De alegria.
De vida.
Merecidas férias. Merecidos momentos.
Aos poucos, a vida começa lentamente a entrar em minhas veias.
Que bom.

VALE A LEITURA....MESMO

Lâmpadas e inteligências

As lâmpadas servem para iluminar.

Para isso, são dotadas de potências de iluminação diferentes.
Há lâmpadas de 60 watts, de 100 watts, de 150 watts...

Esse número em watts diz o poder de iluminação da lâmpada.
Também as inteligências servem para iluminar.
Nos gibis, o desenhista, para dizer que um personagem teve uma boa

ideia, desenha uma lâmpada acesa sobre a sua cabeça.
As inteligências, à semelhança das lâmpadas, também têm potências de iluminação diferentes.
Os homens inventaram testes para medir a “wattagem” das inteligências.
Ao poder de iluminação das inteligências deram o nome de “QI”,

coeficiente de inteligência.
As inteligências não são iguais. Pessoas a quem os testes inventados

pelos homens atribuíram um QI 200, têm um poder muito grande para iluminar.
Alguns, para se gabar, chegam a mostrar sua carteirinha, dizendo que

sua inteligência tem uma “wattagem” alta.
Mas, nós não olhamos para as lâmpadas. As lâmpadas não são para

serem vistas. As lâmpadas valem pelas cenas que iluminam e não pelo brilho.
Olhar diretamente para a lâmpada ofusca a visão.
Há inteligências de “wattagem” 200 que só iluminam esgotos e cemitérios.

E há inteligências modestas, como se fossem nada mais do que a chama
de uma vela, que iluminam sorrisos.
Uma lâmpada não tem vontade própria. Ela ilumina o objeto que o seu

dono escolhe para ser iluminado.
A inteligência, como as lâmpadas, não tem vontade própria.

Ela ilumina os objetos que o coração do seu dono determina que sejam iluminados.
A inteligência de quem ama dinheiro ilumina dinheiro,

a inteligência dos criminosos ilumina o crime,
a inteligência dos artistas ilumina a beleza.
A inteligência é mandada. Só lhe compete obedecer.


RUBENS ALVES.....

ESTAMOS DE VOLTA....

Passados momentos de reflexão para algumas pessoas, cá estamos.
Agradeço as manifestações por email, por recados, ao vivo e no MSn.
A partir de hoje, textos, histórias, estórias e causos retornam com a mesma
autenticidade de antes.
Estes dias ausente foram de muita dor, pois para quem gosta de escrever,
nada pior do que ficar sem escrever.
Mas, - sempre existe um mas -, clarearam ideias e abriram-se novos horizontes.
Como diz uma terapeuta que conheço: viva o hoje, se lembre do ontem sem sofrer
e projete um amanhã cheio de paz, de alegria e sem complicações.
Certa ela.
Vamos que vamos.
Amanhã tem novidades por aqui.
Abraço aos amigos, seguidores, anônimos, públicos, compadres, companheiros,
amigas, antigas e novas, enfim, muito obrigado, de coração pelas palavras
a mim dirigidas.
Agora, mais do que antes, escrever é mais do que dar prazer para o escritor.
É agradar e muitas pessoas.
Assim será.
Obrigado.
Que Deus abençoe a todos.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

A PEDIDOS

Atendendo a pedidos e críticas, fiz uma limpa nos textos
do blog no dia de hoje.
E a partir de hoje, falemos de amenidades.
Conforme disse Chico Buarque, é muito complicado homem falar
de sentimento.
Mesmo sentindo uma certa frustração por não poder desenvolver
o que eu gosto, que é falar de sentimento, continuarei escrevendo
amenidades, receitas, músicas e assuntos ligados à cidade de Curitiba.
Devo ficar fora do ar por alguns dias, mas retorno em breve.
Enquanto isto, uma grande pesquisa deverá ser feita para enriquecer
os assuntos acima mencionados.
Agradeço as manifestações de amigos, alunos, pessoas que apreciaram
meus textos, mesmo sem entendê-los por completo.
Quem entendeu, não gostou. Daí a limpa.
Até pra semana.

Costa Kotzias.

CASAMENTO EM CASCAVEL

A festa prometia.
Convites oficiais, gente em cima de gente, multidão.
E não era popular.
Apenas um casamento em Cascavel. Mas de gente querida.
De Curitiba, partiram ônibus, carros e dezenas de pessoas.
Foram na sexta, para aproveitar o final de semana, visto que o

casamento seria no sábado.
Já na sexta, à noite, galinhada para os convidados no Country Club,

cercados de atenção e carinho da família da noiva. E que bela família.
Meio porrinho armado, para todos. E foi.
Dos mais tímidos e tímidas ao mais faladores.
Porrinho generalizado. De leve. Sem compromentimento.
Hotel Copas Verdes, caminha, soninho e pronto.
Paz na terra aos homens de boa vontade.
Abraçados às generalas, todos dormiram.
Amanhece o sábado.
Todos se encontram no café da manhã, conforme o combinado da véspera.

Não lembro, mas fui.
Depois do café, carros em fila, ruas principais de Cascavel, fila indiana e

todos para o Paraguai. Destino: prateleiras de uísque e utensílios para as senhoras. E não foram poucos.
Na viagem, fitas K-7 de um carro para o outro. Alegria generalizada.
A noiva e o noivo ficaram em Cascavel e recomendaram: não voltem tarde.
Antes tivéssemos voltado mais tarde.
Lá pelas duas da tarde, tudo pronto. Volta para Cascavel.
Ao chegar ao hotel, dia lindo, todos juntos, piscina.
Inevitável.
Piscina regada a uísque. Cada um trazia um litro. E de tudo.
De Pinwinnie à Johnny Red.
Não vai dar certo, pensei.
Pensei, mas embarquei. Golinhos e bebericos para todos.
Lá pelas 19hs, a noiva chega à piscina e pede a todos que subam para se arrumar, visto que as mulheres já tinham ido para o pet-shop arrumar cabelos, unhas, etc...
Todos “balão”. Todos mesmo.
Até quem não era de beber, cantava La Traviatta de trás para a frente.

A noiva veio para pedir que parássemos de beber. Todos aplaudiram, mas ninguém ouviu.
E dá-lhe terno.
Nó de gravata feito não se sabe como, banho tomado com cantoria,

enfim, um grande porre. E risos.
Tudo isto antes do casamento.
E lá fomos para a igreja.
No fundão, os mais balões ficaram ao vento, visto o calor de quase

30 graus, mesmo à noite.
E nós, de terno e gravata. E elas, lindas e impecáveis.
Mulher não transpira. Que raiva!!!
Termina a cerimônia, todos melhoram um pouco, vamos para o clube,

onde seria a recepção.
Na entrada, quase todos sentados, cai o mundo.

Temporal em Cascavel.
Chuva para filmar uma tragédia.
Resultado: cai o forro do clube bem na hora da entrada da mãe da noiva.

Susto.
Mas não foi nada. Desarrumou o cabelo e a festa começou.
Nas mesas, Johnnie Black para todos. À vontade.
Aperitivos, goles, mulheres bonitas e a melhor banda dos últimos 20 anos:

a banda do padre (era o apelido do vocalista principal).
Um som de primeira qualidade.
Eu, tomando uísque.

Como se fosse um piloto de provas contratado para ver até onde o fígado agüentava e a bebida também.
Ganhei.

Das nove da noite às quatro da manhã. Uísque e água. Deu um litro e meio.
Jantar servido. Não fui comer. Apenas circulei de mesa em mesa, falando com todos, bebendo em cada mesa.
Dança.
Música.
Festa.
Os noivos, animados e felizes, como era de se esperar.
Ela era da alegria e ele, meio reservado, mas companheiro.
Os convidados, a esta altura, somente riam. Riam e bebiam.
Eu apanhei guardanapos de pano e saí abanando pelo salão.
Resultado: em cinco minutos, todos os convidados dançavam com os guardanapos na mão. Virou festa grega. Alegria geral. Olha o porre!!!!
Lá pelas 4 da manhã, capotei.
Troquei nomes, chamei Hugo de Pedro, Maria de Joana, enfim, o porre era declarado. Mas animado. Ria feito uma criança.
Nada de escândalo.
Da mesa, dona Bethy apenas me dizia que era hora de ir para o hotel.

Santa paciência de quem já vira este filme. Até em preto e branco.
Como todo bêbado, disse que não. Eu estava bom. Bom para virar suco.
Ar.
É preciso respirar.
Lá fora, na calçada do clube, Dr. Boscardim e o filho Paulo, carregam o balão.

E o balão era eu. Completamente fora do ar. Exalava uísque e sorrisos.
Cantorias, discursos, mais sorrisos. Não dava mais.
Um grande e homérico porre me dominava.
Mas alegre. Feliz. Como raramente consegui ficar.

Apagou a minha luz, cortou o circuito.
Nos braços do compadre Ricardo e no colo de Dona Bethy, fomos para o hotel. Caminho longo. Cantando no carro.
No quarto, só de cuecas, vou respirar fundo na janela do hotel Copas Verdes e me debruço. Cataratas de Cascavel. Inédito, mas real.
Quase me vou. Quase me fui. Quase caio lá de cima. Beiral mais baixo.
Dona Bethy puxou a cueca e eu vim junto.
Sorte minha.
Poderia ter encerrado ali uma carreira que só começava. E ela até hoje coça

o queixo.
Salvei-me. Mas com a cueca rasgada.
Depois que o mundo girou como em desenho animado, dormi.
Cinco da manhã.
Pelas oito, o “tarado” do compadre Ricardo chama para ir tomar café

e ir embora. Eu pedia para o mundo parar de girar.
No banho, me senti o campeão de natação. Ainda estava de porre,
às oito da manhã. Pasta de dente com gosto de uísque. Boa experiência.
Toma o café, paga a conta, se despede de quem estava por ali e pegamos a estrada.
Na saída, peço ao compadre que pare para comprar água.
Muita água.
O radiador do greguinho estava furado. Eu precisava de água.
Ele não parou. E eu não sabia bem onde estava indo. Mas fui....
E de Cascavel a Palmeira, paguei meus pecados.
Ressaca encomendada pela falta de bom senso. Minha falta.
Pra quê beber daquele jeito?
Mas bebi.
Bebi, bebi, bebi.
E na estrada, lembrei, lembrei, lembrei.
De garganta seca. Pecados passando à minha frente. Lentamente.
Em Palmeira, paramos no Girassol.
Moça, me dá 4 garrafinhas de água.
Quatro?
Sim, para já.
Para levar, mais duas.
Parecia uma areia quando recebe água.
A vida lentamente volta dentro de mim.
Flashes da festa aparecem em minha memória.
Grande casamento.
Grande festa.
De dois amigos do coração até hoje. Júnior e Taninha. Deus os abençoe.
Grande porre.
Ficou na história.
E o filho da puta do meu compadre, que me matou de sede, só ria.
Brigar com ele? Não. Aceitar a besteira.E a experiência.
Mas uma besteira, profissional.
Coisa de profisssional.
Um porre que ficou gravado em DVD e que vi somente uma vez.
Mas que ficou na história, ficou.
Bons momentos.
Boas lembranças.
Saudades do tempo que tinha fígado.......

DÚVIDAS?

Todos nós as temos.
E de várias formas.
Pessoais, profissionais,
raras que contrariam normas.
E com elas, vivemos.
Tememos.
Sofremos.
Nos arrependemos.
Dúvidas da vida
da volta, da ida.
Dúvidas de alguém,
daqui ou do além.
Pessoas que mudam
pessoas que se alteram
pessoas que calam
pessoas que aceleram.
Dúvidas?
Todos temos.
Não tememos,
mas com elas, vivemos.
E com elas, aprendemos.
A andar mais devagar,
ouvir antes de falar,
pensar e rir.
Refletir antes de explodir.
Dúvidas?
Aí estão.
Na casa, na rua, no colchão.
Para o mais decidido,
para o mais resolvido,
para o vivo, charlatão.
Dúvidas......
sem elas, não perderíamos cabelos,
não ficaríamos acordados,
não seríamos importunados
por coisas que não sabemos resolver.
Ver para crer.
A exemplar de ontem,
é a perdida de hoje.
A pura de ontem,
é a vagante de hoje.
Dúvidas.....
que nos apertam a mente,
que matam a semente
do que poderia ser bom.
Viver requer tom.
Lá maior para os sorridentes.
Ré menor para os previdentes.
Sol maior para os ausentes.
Dó maior para os presentes.
Dúvidas.
Nos perseguem e torturam
nos prendem e emolduram
um quadro que não se quer ver.
Ver para crer.
A bandida veste ouro,
a raiva é de um touro
que inicia a caça.
Melhor, não faça.
Assuma seu papel.
Enfrente, lute pelo céu.
Dúvidas.
Elas existem.
E persistem.
E incomodam.
E machucam.
Porra de sentimento que maltrata.
Porra de reação que não desata.
Porra que coisa que não se afasta.
Mesmo do pensamento.
Gera o tormento.
Dúvidas.
Quem seríamos sem elas.
Como viver com elas?
Dúvidas.
O pior sentimento do ser humano.
A lágrima que cai por cima do pano
que se abaixa,
encerra,
termina.
Um ato?
Uma peça?
Dúvidas.
Somente dúvidas.......